3 de maio de 2014

03 de maio, dia internacional da “Liberdade de Imprensa?”



Já dizia o escritor e jornalista George Orwell: “jornalismo é publicar tudo aquilo que alguém não quer que se publique, todo o resto é publicidade”. Na prática isso até poderia funcionar, senão fosse por um único motivo: o que não quer que se publique não se publica. Seria o jornalismo, então, uma espécie de publicidade? Quem sabe se por aqui isso não ocorra, pelo menos, parcialmente?

Ora, há mais de 28 anos vivemos numa democracia, pelo menos denominamos nosso país dessa forma. Porém, um país democrático cultua, mais que qualquer outra coisa, a liberdade de expressão e consequentemente a liberdade de imprensa. E não existe nada mais terrível e amedrontador para um jornalista do que ter sua voz aprisionada pelos detentos de poder.

Os números nos mostram uma realidade preocupante. Segundo ONGs especializadas no assunto, somente em 2013, quatro jornalistas foram assassinados no Brasil. Numa lista de 179 países, o nosso ficou na incrível posição 108º num ranking de liberdade de imprensa da organização Repórteres sem fronteira. O 10º lugar é nosso, numa lista de países com assassinatos de jornalistas, sendo que entre 2003 e 2012 tivemos nove, desses nove, nenhum, até hoje, foi solucionado.

Em 2012, quatro jornalistas foram assassinados devido a sua profissão, enquanto dois tiveram que deixar o país porque estavam sendo perseguidos ao fazer denúncias contra policiais envolvidos em casos ilícitos. Por esses motivos, o Brasil ganhou de brinde a maravilhosa 5º posição na lista dos países mais perigosos para se exercer a profissão de jornalismo em toda América, segundo a RSF.

Mais um exemplo a ser citado é o da jornalista Rachel Sheherazade, que depois de inúmeras declarações críticas ao governo teve sua voz calada, porque, óbvio, como manda o figurino, se ela não se calasse, o SBT perderia uma humilde verba de publicidade do governo. Há rumores, de que os dias para Sheherazade no SBT estão contados.

Num país em que os maiores meios de comunicação estão intimamente ligados ao governo, não se pode esperar que eles respeitem o direito que todo o indivíduo tem de se informar sobre o mundo que o cerca. Vivemos rodeados de ações propagandísticas, perdemos a nossa prioridade de receber informações importantíssimas para a nossa construção social. Além do mais, não se pode, também esperar melhoras da situação. Temos crimes não solucionados, jornalistas são perseguidos, e muitos profissionais do meio de comunicação não se ajudam. Alguns, fazendo parte da própria ação propagandística. Como esperar que algo se resolva?

A profissão de jornalismo é uma das mais paradoxais que existe. Ao mesmo tempo em que caracteriza a informação como algo inerente a profissão ela não a prioriza. A informação tem que vir pura tal como ela foi percebida pelo jornalista, sem direito a mudanças que venham de acordo com o interesse do meio de comunicação, a informação tem que vir de acordo com o interesse da sociedade. Se a sociedade precisa saber sobre ações ilícitas do governo, o jornalista tem a obrigação de mostrar isso ao público. Mas infelizmente não vemos isso e sinceramente: hoje é o dia internacional da liberdade de imprensa, mas, lamentavelmente não há muito que comemorar.



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